Depois do media lounge da DLink, é hora de falar de outro objeto de desejo recentemente adquirido. Sim, finalmente cedi ao IPod e pedi a minha irmã para me trazer o modelo de 30 gb. Agora eu entendo porque a Apple consegue fomentar uma relação quase religiosa dos clientes com seus produtos. Estou apaixonado pelo Ipod. Coloquei todas as minhas (480) músicas no bichinho e mais 5 vídeos e ainda tenho 24 gigas livres. A facilidade de uso e o design são realmente inebriantes. Perto dessa qualidade, tudo o que a microsoft faz é realmente vergonhoso. Isso não significa que não haja problemas. A interface do software para dowload no Ipod (o Itunes) é bastante complicada e deficiente. Carregar filmes para o Ipod é um processo chato e trabalhoso. E acabei desistindo de usar o mecanismo de conversão do próprio Itunes. Para converter um filme de 1 hora e 15 minutos feito no próprio formato do Quicktime meu pobre computador levou um dia inteiro!! (das 11 da manhã às 8 da noite). Certo, minha máquina está capengando com um processador ultrapassado e 512 megas de RAM. Mas um dia inteiro é ridículo! Sorte que existem na internet até programas gratuitos para converter DivX e outros formatos para o Ipod (sem falar no excelente CloneDVD Mobile). Mesmo com essas dificuldades, o Ipod é uma pérola do design e da funcionalidade. Não admira que seja disparado o player mais adorado do mercado...

Muito trabalho: três dissertações grandes para ler, uma monografia, material para a reunião em Brasília... Mas não consigo me concentrar. A mente está em outro local, planando
Parece que matarm um grande “spammer” lá na Rússia. Li em algum lugar faz algum tempo. Bem feito! Nada me deixa mais P** do que esses cornos que fazem spam. É uma raça degradada, da mesma espécie que aqueles imbecis que anunciam “serviços acadêmicos” de confecção de monografias, dissertações e teses. Dois tipos de insetos que não param de se multiplicar, chafurdando na lama da idiotice. Agora, a nova moda é fazer spam de softwares para spam! É o spam em versão metalinguagem! Spam ao segundo grau. O mais irritante é não poder dirigir uma resposta polida aos spammers. Eu estou cansado de saber disso, mas mesmo assim insisto em inutilmente responder aos seus emails solicitando o redirecionamento de suas missivas para determinada cavidade corporal. O spammer é uma criatura tão asquerosa que devia ser executado sumariamente, sem direito a julgamento. Eles poluem o ciberespaço com mensagens sobre ampliação peniana e uso de drogas para resolver a impotência. Sim, a maioria dos spams diz respeito a produtos relacionados à atividade sexual, o que indica a obsessão desses seres com aquilo que lhes falta. Vamos iniciar uma saudável campanha em prol da morte de todos os spammers e “escreventes de monografias acadêmicas”.
Quando voltei ao Brasil, em 1999, não sabia ainda sobre o que iria escrever ou pesquisar. Havia me apaixonado pela literatura e pela filosofia, e a comunicação passara a ser um interesse muito distante. Um dia, pensando sobre o filme que tinha acabado de assistir, decidi escrever algo sobre as estranhas e intrigantes relações entre cibercultura e religiosidade. Mandei o ensaio, sobre o filminho da moda de então, "Matrix", para a bela revista da Unisinos, "Fronteiras". Eles publicaram o artigo e, aparentemente, tornou-se um pequeno "best seller" acadêmico no curso de comunicação. Sobre o tal texto, minha amiga Suely Fragoso escreveu o seguinte:
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"Do Erick, conheci primeiro um texto. Todo mundo (colegas, alunos) vinha me perguntar se eu já havia lido o tal texto. Eu respondia que não e logo o interlocutor, qualquer que fosse, começava a desfiar o rosário de qualidades imperdíveis... os elogios eram tantos que eu já estava convencida que odiaria a leitura (detesto best-seller acadêmico). Para minha supresa a-do-rei o dito texto. Quando fui encontrar o autor (por conta de uma palestra aqui no RS) estava esperando um sujeitinho chato e arrogante, cheio de si com o excesso de talento que o destino lhe dera - nova surpresa! O Erick é tudo de bom - inteligente e talentoso, sim, mas também simpático, agradável, tranquilo...". Por causa desse pequeno texto, me convidaram para participar, junto com o amigo André Lemos, da Semana da Imagem na Unisinos, uma das experiências mais bacanas que tive em minha vida acadêmica. Eu era um ilustre desconhecido, e a Suley disse que esperavam um velho encarquilhado de grossos óculos. Hoje eu releio esse texto e não posso deixar de me admirar com sua ingenuidade (mas também com seu vigor), a inocência de quem achava que iria conquistar o mundo. Agora, ainda entusiasmado, mas muito mais realista, reencontro com prazer muitos textos que escrevi há ainda mais tempo, nos anos do mestrado, por exemplo. Que caminhos eles não percorreram para chegar ao que são hoje? Não sou mais aquele de então ("não é possível banhar-se no mesmo rio duas vezes"), mas tenho saudades de algumas partes de mim... | ||
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Um silêncio sepulcral e um inacreditável mutismo telefônico marcam a lentíssima passagem das horas neste feriado enquanto leio a tese do Tadeu. Os contos de Poe, que já havia quase esquecido, desfilam na minha mente à medida que leio, tomado de certa angústia nervosa (para entrar no clima do trabalho, que discute as relações entre hipnose, fantasmagoria e o nascimento do cinema). A tarde está assustadoramente vazia, e uma preguiça extraordinária me domina. Para me distrair, começo a pensar em alguns dos trabalhos que li recentemente. Fico meditando sobre a expressão “êxtase não-dialético”, encontrado num deles. Que raios seria um êxtase dialético? Se o êxtase é a totalidade absoluta, como poderia existir algum que fosse dialético? É incrível como certas palavras têm o poder de mistificar construindo castelos de vento em textos sem sentido algum. Pululam por aí “rizomas”, “não-lugares”, “redes”, “desterritorializações”, “dualismos cartesianos” e outros chavões que, de tanto usados, já não dizem mais nada. São palavrinhas fáceis dos bordéis acadêmicos que se entregam a qualquer um sem nenhum pudor. Falta de decência intelectual! Naturalmente, não encontro nada disso no trabalho dessa criatura espectral que é o Tadeu. Só fantasmas, castelos góticos e espetáculos de magia. Mas mesmo assim a tarde continua se arrastando. Melhor sair de casa....
É uma livraria grande, bonita, com paredes de tijolo. Sei que é noite e que não estou aqui, mas
A arte da ataraxia é não ter expectativas. Os budistas exercem essa arte. Sempre lembro da entrevista de um monge budista que vi na televisão. O cara disse: “nunca me decepciono com as pessoas, porque nunca espero nada delas”. Mas essa atitude é algo incrivelmente difícil para um ocidental, mergulhado que está em um mundo de desejos, anseios e expectativas. É certo que o tempo vai te ensinando a lidar cada vez melhor com as decepções, mas certa medida delas é inevitável. Outro dia estava também recordando algumas leituras filosóficas e me dei conta de que quase não vivemos no presente. A maior parte do tempo, nós passamos lembrando o passado ou planejando, projetando para o futuro, criando expectativas. E o tempo é vivido como acumulação das coisas e não criação do novo, no sentido da durée bergsoniana. Não há dúvida de que isso é fonte de sofrimento. Mas uma atitude de suspensão dos desejos e das expectativas não seria também algo muito anti-vital? Não é o que espero e planejo aquilo que me move?
Hoje tive um daqueles sonhos estranhos em que pareço estar assistindo a um filme. Muitas vezes eu nem apareço, os fatos não aparentam ter nenhuma relação direta com minha vida, são desconhecidos os personagens. Mas acho que eu estava lá, com outra identidade. Não sei por que cargas d’água eu era um funcionário do alto escalão de uma empresa multinacional. Não lembro muitos detalhes, mas sei que tinha uma colega, muito elegante, muito charmosa, muito bonita. Acho que era francesa (ou estava aprendendo francês) e ruiva e tínhamos, aparentemente, um romance. Minha sensação era de ser eu mesmo e, ao mesmo tempo, outra pessoa. Experiência interessante sonhar. Sempre me fascinou, pena que eu ande com a memória tão opaca para os sonhos. Há alguns anos, passeando num sebo, comprei um diário de sonhos de Swedenborg. Singular cientista e místico sueco do século XVIII, Swedenborg era o tipo de sujeito que já parecia viver em sonho. Eu aprecio a estranheza, e o sonho, assim como o amor, são territórios da estranheza. Em Swedenborg, isso é potencializado: seus sonhos são incrivelmente barrocos, místicos e metafísicos. Já tive sonhos assim, mas ultimamente eles têm sido muito mais simples e “concretos”. Não entendo o porquê desses sonhos cinematográficos – talvez expressão do desejo ocasional de ser outro. “Je est un autre”: alguns atentados à gramática são a redenção da poesia.
Estive novamente
Como de costume, um longo tempo afastado daqui e volto com três posts de uma vez. Preciso de algum choque vital para me despertar de certos períodos de sono criativo. Tive um (ou mais até) esta semana. Vou voltar a falar um pouco sobre cinema. Nada como um bom contraste para começar (como o Hollywoodiano “
Hoje vi um daqueles filmes independentes que de vez em quando a gente acha escondidos nas prateleiras das (geralmente pobres) locadoras cariocas. Produzido pelo excelente Edward Norton, que também faz o protagonista, Down in the Valley (“Vale Proibido”) é o segundo filme do diretor e roteirista David Jacobson, cujo talento pode ser sentido em cada centímetro da película. Norton interpreta Harlan, um jovem e perturbado “cowboy urbano” que se apaixona pela belíssima filha adolescente de um policial. O filme é triste, belo, perturbador e inteligente. É uma espécie de western contemporâneo, ambientado nas locações ideais para isso – os desertos urbanos
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