As Maravilhas da Tecnologia e sua Contribuição ao Cinéfilo

Comprei esse aparelhinho da foto em Nova Iorque por U$ 240.00, em novembro do ano passado.  O que ele faz?  Ele se conecta à minha rede sem fio e acessa um software de servidor instalado no meu computador.  Ele identifica meus arquivos de áudio e vídeo (mp3, avi, DivX, etc...) armazenados no HD e os transmite na minha televisão, com qualidade de DVD.   Eles ainda não chegaram no Brasil.  São chamados media servers, e a Apple acabou de lançar um (Apple TV) com HD embutido.  É a convergência tecnológica.  Graças a esse maravilhoso “gadget” (que hoje, apenas 4 meses depois, está custando somente U$ 170.00), já não preciso gravar meus arquivos de vídeo em CD ou DVD para assisti-los na televisão.  E se você tiver um arquivo de subtítulos (*sub) no mesmo folder e com o mesmo nome do filme, a parafernália lê o documento e insere as legendas automaticamente.  Graças a tudo isso, nestas duas últimas semanas assisti a alguns filmes que estão longe de chegar por estas terras.  Veja abaixo...

Mundo Digital: Cinemão e Cinemais

1. The Wind that Shakes the Barley

Filme do Ken Loach que ganhou a Palma de Ouro em Cannes.  Filme pungente, bonito, mas extremamente triste.  Conta a história do surgimento do IRA (Exército Republicano Irlandês) e, me parece tematizar, acima de tudo, como a intolerância, a crença cega e a intransigência podem afastar as pessoas e romper todo laço de comunicação entre elas.  A fotografia é linda, e a história é contada com delicadeza e sensibilidade.

2. Talladega Nights: the Ballad of Ricky Bobby

Filme hilário do Will Ferrell que conta a história de um piloto da Nascar.  É de um nonsense delicioso, e a maneira como retrata os franceses – a nacionalidade non grata da América hoje – é de se escangalhar de rir.  Esse deve chegar logo aos cinemas e às prateleiras de vídeo.  É cinemão, mas divertidíssimo, com um humor estranho e inteligente como o de “O Virgem de 40 anos”.

 

 

3. Renaissance

 

Filme francês, que estava passando no Festival de Nova Iorque quando eu estive lá.  Tentei assisti-lo, mas não consegui ingressos para os dias em que estive vagando pelo Village.  A história é algo patética, recheada de estereótipos dos filmes policiais e da ficção científica (é uma mescla dos dois gêneros).  É o que acontece quando europeus tentam fazer filme de gênero.  O mais interessante, porém, é a experiência visual, diferente de tudo o que já vi antes em termos de animação ou rotografia, mesmo os trabalhos do Richard Linklater (Waking Life, A Scanner Darkly).  É um filme “noir” nos sentidos mais literais do termo.

 

 

4. The Host

 

Filme coreano de 2006.  Esse eu peguei no Azureus (um software cliente de Bittorrent).  Consegui achar o DVD original inteiro, com menus e tudo mais.  O arquivo tinha 4.3 Gigas e levou uns três dias para “baixar”.  Depois foi só usar o Nero e gravar num DVD-R: pronto, tinha em minhas mãos uma cópia perfeita de um DVD lançado na Coréia (com legendas em inglês, felizmente).  O filme é muito divertido e de um non-sense do tipo que só os orientais conseguem obter (já falei aqui da loucura dos asiáticos).  Aliás, essa sensação de non-sense tem sido uma tônica de boa parte da produção cinematográfica contemporânea, junto à retomada e revisão de gêneros clássicos e experiências de hibridismo narrativo.  The Host recupera o tradicional gênero asiático dos “filmes de monstro”, só que agora numa escala superlativa.  Conta a história de um monstro criado por lixo químico (uma história que já vimos, realmente, muitas vezes) e as tentativas de uma família muito louca de resgatar uma menininha de suas garras.  É comédia, ação, ficção científica: tudo ao mesmo tempo.  E a criatura é uma das coisas mais impressionantes que já vi nos últimos tempos, deixando muitas inovações de efeitos especiais de Hollywood no chinelo. 

 

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