Deus e a Poesia

Muito trabalho: três dissertações grandes para ler, uma monografia, material para a reunião em Brasília... Mas não consigo me concentrar.  A mente está em outro local, planando em alturas estratosféricas.  Nesse estado de espírito, não me restava senão voltar a ler poesia, reaprender a lidar com sentimentos há longo tempo esquecidos.  A poesia é um exercício da alma, uma aeróbica do espírito.  Fiquei, então, folheando alguns dos meus preferidos: Angelus Silesius, Martin Fierro, Dámaso Alonso.  Este último tem um poema belíssimo, que nunca canso de ler.  Seu título está entre os mais belos, eu diria, da história da literatura: “Duda y amor sobre el Ser Supremo”.  Esse intervalo entre a dúvida e o amor é toda a vida – dividida entre a necessidade de crer em algo maior e melhor que este mundo e o reconhecimento de que o permanente combate contra a dúvida é inevitável.  Mas se o título do poema é de uma beleza extraordinária, me permitam então recordar algumas frases de tão dolorosa formosura que chega a ser difícil crer terem sido escritas por simples mortais: “l’étude du beau est un duel où l’artiste crie de frayeur avant d’être vaincu” (Baudelaire); “a regra de ser rei almou meu ser” (Fernando Pessoa) (que pode ser mais belo que essa transformação de um substantivo num verbo?); “eu faço versos como quem chora” (Manuel Bandeira); “Cuano murió el poeta se quedaron tristes todas las cosas pequeñitas que él cuidaba” (Damaso Alonso); “what immortal hand or eyey could frame thy fearful simmetry?” (Blake); “agora vemos por um espelho na obscuridade; depois veremos face a face” (Saulo de Tarso); “o poeta no templo é um ser velocíssimo, e ele próprio é um templo que penetra outro templo” (Jorge de Lima); “Ein jeder Engel ist schrecklich” (Rilke).  Pode haver alguns erros; cito de memória.  Mas a beleza dessas frases é tão poderosa que sobrevive às impiedades do esquecimento.  Com a poesia, aprendi a acreditar em outra dimensão do mundo, muito além do palpável e cotidiano.  E por isso eu sempre lembro aquele conto de Borges em que o bardo criou um poema tão magnífico que ofendeu os deuses com seu brilho.  Deus é poeta.  E viver pode, às vezes, ser poesia.

Morte aos Spammers!

Parece que matarm um grande “spammer” lá na Rússia.  Li em algum lugar faz algum tempo.  Bem feito!  Nada me deixa mais P** do que esses cornos que fazem spam.  É uma raça degradada, da mesma espécie que aqueles imbecis que anunciam “serviços acadêmicos” de confecção de monografias, dissertações e teses.  Dois tipos de insetos que não param de se multiplicar, chafurdando na lama da idiotice.  Agora, a nova moda é fazer spam de softwares para spam!  É o spam em versão metalinguagem!  Spam ao segundo grau.  O mais irritante é não poder dirigir uma resposta polida aos spammers.  Eu estou cansado de saber disso, mas mesmo assim insisto em inutilmente responder aos seus emails solicitando o redirecionamento de suas missivas para determinada cavidade corporal.  O spammer é uma criatura tão asquerosa que devia ser executado sumariamente, sem direito a julgamento.  Eles poluem o ciberespaço com mensagens sobre ampliação peniana e uso de drogas para resolver a impotência.  Sim, a maioria dos spams diz respeito a produtos relacionados à atividade sexual, o que indica a obsessão desses seres com aquilo que lhes falta.  Vamos iniciar uma saudável campanha em prol da morte de todos os spammers e “escreventes de monografias acadêmicas”.

mansidão
"manso e manso, entrou-lhe o amor no coração" (Machado, "A Causa Secreta")
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , RIO DE JANEIRO , Homem , Portuguese , English , Livros , Informática e Internet
MSN -

 
Visitante número: